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O primeiro contato que temos com a sexualidade, de acordo com Cláudia Bonfim, doutora em Educação e coordenadora do Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação e Sexualidade do Ministério da Educação e autora do livro Educação Sexual e Formação de Professores: da Educação Sexual que Temos à que Queremos. é durante a amamentação.

“A sexualidade nos é apresentada de maneira não verbal: pelo toque dos pais, pelo modo como a mãe amamenta, como o bebê é embalado no colo, como o olham, se o amam etc.”, explica a educadora. “Ou seja, a educação sexual nessa fase se dá especialmente por meio dos comportamentos e experiências afetivas-sexuais que o bebê vivencia através da sexualidade dos pais e do meio em que ele vive.”

A descoberta do próprio corpo se dá após os 18 meses de idade, quando a criança vivencia a fase anal, que vai até os três anos e meio.

“A fase anal trata de um momento em que a criança começa a obter controle dos esfíncteres anais e da bexiga, controlando a micção e a evacuação. Aprender a ter o controle das suas necessidades fisiológicas significa uma nova forma de prazer e gratificação, inclusive pela atenção que lhes é dedicada e dos elogios que recebe quando passam a ir sozinhas no banheiro”, explica Bonfim.

É nesse momento que a criança descobre que tem um órgão sexual, pois é quando começa a manipular estes órgãos, principalmente quando vai ao banheiro. Por isso, a fase anal pode marcar muito a sexualidade da criança, principalmente nos meninos, por terem o órgão sexual externo.

“É importante que os pais a ajudem a criança a reconhecer o corpo nesta fase com naturalidade, sem reprimir suas atitudes, pois o caráter da criança nessa etapa é de reconhecimento corporal, e não erótico”, orienta e educadora.

Bouer explica que também é nessa fase que surgem as dúvidas dos pais sobre como agir diante de comportamentos dos filhos com o próprio corpo. “Atendo mães que costumam reclamar que o filho fica com a mão no pênis o dia todo. A maior aflição delas é não saber como agir: deveriam conversar com o filho ou fingir que não estão vendo? Eu defendo que deve haver uma conversa com a criança de maneira natural e nunca ignorar o comportamento”, defende o médico.

EU Flávia Pereira, como educadora oriento aos pais ensinarem que pode sim manipular o próprio corpo, mas precisamos ensinar onde e reforçar que não se faz isso em público. Não podemos proibir uma descoberta natural do desenvolvimento humano. E que se tratada com pudor, vergonha e algo sujo, tem reflexos complicados para a vida sexual adulta.

“Em um primeiro momento, cabe aos pais ajudar a criança a construir sua sexualidade de maneira positiva”, afirma Bonfim.

QUANDO CONVERSAR

Mas o que e quando conversar? Para o doutor Bouer, a curiosidade de cada criança deve ser o termômetro dos pais para saber sobre o que e quando falar. “As curiosidades sobre o corpo são naturais desde muito cedo, e os pais devem sempre responder as perguntas, mas não acho que nessa fase seja necessário dar uma aula para abordar o tema”, explica o médico. “Os pais devem ficar atentos às curiosidades que forem surgindo e sempre explicar dentro da capacidade da criança de entender aquela conversa”, completa.

Os pais também devem considerar que cada criança tem uma personalidade e entender o tempo de cada uma de descobrir o mundo a sua volta. “Tem crianças mais curiosas, que perguntam sobre tudo; tem as mais tímidas, que provavelmente terão medo de tocar no assunto. De maneira geral, a criança que convive com outras mais velhas que ela começará a perceber seu corpo e o corpo do outro mais cedo que crianças que convivem somente com adultos”, explica o doutor.

APOSENTAR A CEGONHA

Muitos pais se questionam se podem ficar nus na frente dos filhos pequenos e se podem tomar banho juntos. Para Bonfim, a dica é entender que a maneira como os pais lidam com o corpo refletirá no modo como a criança e o adolescente lidarão com o próprio corpo e o do outro.

“Se os pais sempre tomam banho junto com a criança, geralmente esta fase é bem mais tranquila, pois essas diferenças corporais foram sendo internalizadas com naturalidade, sem a curiosidade de tirar a roupa do outro para ver como é, por exemplo” explica a especialista.

E também é nessa fase que começam perguntas como:

‘Cadê seu pipi, mamãe?’

‘Por que a vulva do papai é diferente?’ (como aconteceu aqui)

E como responder tal pergunta a uma criança?

Aqui respondemos com naturalizada, Explicamos que o papai tem pênis, igual ao do VIni (amiguinho) que ela viu, fim do assunto de forma simples natural e objetva.

Doutor Bouer explica que muitos pais e até professores recorrem a metáforas para explicar temas sobre sexualidade, mas nem sempre essa é uma boa estratégia. “Se a metáfora ajudar a criança a entender o que está sendo falado, sem gerar mais dúvidas na cabeça dela, é válido. Porém, não vale usar uma metáfora para inventar uma situação que não existe no mundo real, como a história da cegonha que trouxe o bebê”, adverte o médico”. “Precisamos enterrar a história da cegonha.”

Não diferenciar objetos, cores e comportamentos “permitidos” para meninos e meninas, como forçar as meninas a cruzar as pernas quando sentam ou estimular os meninos a serem agressivos nas brincadeiras, por exemplo, também faz parte de uma educação sexual saudável física e emocionalmente. “Não ter preconceitos e tabus sexuais começa dentro de casa e na infância.

Reforçar estereótipos de gênero contribui muito para a desigualdade, machismo estrutural e suas consequências para ambos os sexo. Falaremos mais sobre isso aqui.

Os pais não devem fazer distinção quanto à utilização de cores e brinquedos entre meninos e meninas. É provado que estes objetos e cores não determinam nossa sexualidade, mas podem interferir na maneira como vemos e respeitamos o sexo oposto e o diferente de nós”, afirma Bonfim.

“O maior problema da ideia da fragilidade feminina e da mulher como um ser mais sensível e do homem como um ser que deve reprimir seus sentimentos e ser forte é que geramos mulheres fragilizadas e submissas e homens insensíveis, brutos e com dificuldades de demonstrar seu afeto”, completa a educadora.

O mais importante de uma educação sexual consciente para crianças é ensinar o que é amar, se relacionar, o que é afeto e privacidade, assim como identificar o que é abuso. Ou seja, a reconhecer, respeitar e defender o próprio corpo e o corpo do outro.

“Por meio da educação sexual, é possível ensinar a criança a não deixar que nenhuma outra pessoa tire sua roupa, toque em seu corpo e em suas partes íntimas. Também deve-se orientar desde pequeno que, caso essas situações ocorram, ela nunca deve ter vergonha e escondê-las, devem comunicar imediatamente os pais”, alerta Bonfim.

“Isso é fundamental para que a criança possa prevenir um abuso ou violência sexual, pois ela saberá diferenciar carinho, afeto, privacidade, de abuso e violência.”

Partes do texto é da Lais Modelli – para a BBC Brasil

Estou fazendo uma sequência de posts muito importantes na página do instagram lá falo muito da importância em respeitar o corpo da criança, ensinar consentimento e ter uma relação de confiança. Todos nós somos de uma geração que busca essa ressignificação do relacionamento pais e filhos.

Não queremos passar para frente muito do que vivemos na idade dos nossos filhos. Já recebi muitos pedidos sobre conteúdos que eu recomendo, esse Curso da Elisama (QUE ESTÁ EM PROMOÇÃO) Como Educar para a vida, sem autoritarismo e permissividade? Como encontrar o caminho do meio? Conheça no link! http://bit.ly/ElisamaREolhar

Tenho certeza que fará imensa diferença na vida de vcs!

Invista no que é mais valioso para vc!

Com carinho Flavia Pereira