Às vezes me pergunto se a batalha entre punição e permissividade continuará para sempre. Parece que muitos pensam em termos desses dois extremos. Pessoas que pensam que punição é válida geralmente fazem isso porque acreditam que a única alternativa é a permissividade. Pessoas que não acreditam na punição geralmente vão para o outro extremo e se tornam muito permissivas.

A Disciplina Positiva ajuda os adultos a encontrar um meio-termo respeitoso, que não seja punitivo nem permissivo. A Disciplina Positiva defende ferramentas que são ao mesmo tempo gentis e firmes e que ensinam valiosas habilidades sociais e de vida.

Temos a ilusão a séculos de que a punição funciona, esse pensamento está nas nossas crenças. Porque sim, punições possuem efeito imediato, mas esse efeito é de CURTO prazo e tem muitas consequências.

Não tem termos de educação de quem erra, mas de alívio para aquele que está punindo.

Que tem a sensação de estar no controle da situação.

De outra forma seria difícil entender porque ainda punimos já que as punições tem muita desvantagens.

Sei que essa leitura pode gerar muito desconforto e algumas pessoas podem discordar. Saibam que tudo bem, eu respeito. Porém essa página seguirá sendo sempre coerente com uma educação positiva, respeitosa e NUNCA irá relativizar qualquer tipo de violência.

Antes de se levantar em defesa da punição leia até o fim, ok?

E pense:

Que tipo de relacionamento você quer ter com sua criança?

O que vc realmente quer ensinar está coerente com suas atitudes?

Como vc quer que sua criança seja daqui 20 anos?

O que vc está fazendo para buscar alternativas para que isso aconteça?

 

Por que punimos? 

Temos crenças, costumes, hábitos, muita coisa vem do nosso subconsciente. Da forma com que fomos criados, da história do mundo.

Sabemos que existe um verticalidade de poder, uma autoridade e para que essa autoridade se mantenha algumas ferramentas de CONTROLE eram e são comumente usadas, como:

Chantagem, ameaças, punição, recompensas, castigos, coação, sermões, suborno, todas com o controle através do MEDO.

São coisas que eu e vc sabemos fazer, não é?

Ou alguém aqui não sabe? Já pensaram nisso? Será necessário ensinar alguém com punir?

Agora, cooperação, relacionamento de respeito mútuo, diferenças sendo vistas como potências e respeitadas, colaboração, LIDERANÇA, exemplo, empatia, compaixão, COERÊNCIA aaaaa isso, não é tão claro e prático no nosso dia a dia.

Precisamos buscar, estudar, aprender e praticar.

É uma mudança de paradigma, principalmente em relação a como vemos a EDUCAÇÃO e o que é RESPEITO para vc.

Respeito não se dá através do medo, e sim do exemplo de liderança, de amor e essa é a conexão de respeito MÚTUO. As crianças aprendem sobre respeito vendo como acontece na prática.

Vergonha e HUMILHAÇÃO são punitivas e desrespeitosas, uma criança que aprende a se relacionar assim, logo devolverá o “favor”.

Porque a punição foca no sintoma e não nas causas do problema. Só por essa razão as punições já deveriam ser evitadas. Como o problema não será resolvido ele vai se manifestar através de outros comportamentos. Impedem que as crianças enfrentarem e entenderem as consequências naturais e lógicas dos seus atos.

Impedem que aprender, isso é diferente de OBEDECER.

Por isso já falei aqui que NÃO desejamos crianças obedientes e sim seres que PENSAM ENTENDEM e RESPEITAM. Mas e aí, Flávia com fica a autoridade?

Confundimos punir com mostrar autoridade porém punimos por FALTA DE AUTORIDADE.

Punimos quando não dominamos mais a situação e não sabemos o que fazer. Punimos por impotência!!!

Por isso sempre reforço: Precisamos urgente buscar ferramentas para mudar nossas crenças. Potencializar nossa habilidade de dialogar. Mudar a forma que vemos a educação e buscar cada dia mais nossa evolução pessoal.

Pesquisas tem mostrado que crianças que experimentam uma grande quantidade de punição tornam-se rebeldes, submissas, inseguras. Minha opinião pessoal nessa conjuntura que vivemos no país hoje é que a pior consequência da punição é RELATIVIZAR VIOLÊNCIA! O que é violência ou não é, se perdeu no caminho.

O desafio enfrentado no dia a dia de todas as casas pode ser mudado, e o FOCO não é a criança. Está relacionado ao que VC vai fazer e NÃO no que você espera que a criança faça.

Fica claro que o que aprendemos como filhos NÃO nos basta como pais, o que vem da nossa da nossa cultura também não, porque muitos aspectos da nossa sociedade têm mudado incluindo aspectos de como as crianças crescem e aprendem; a maneira como ensinamos a serem responsáveis, capazes e confiantes deve mudar também.

E a Autoridade se dá dessa forma através da ADMIRAÇÃO,  do exemplo, do DIÁLOGO, do RESPEITO MÚTUO e a criança tem seu LÍDER Venerado, aquele digno de ser imitado e que se CONECTA verdadeiramente com ela.

Um alento nos meus estudos de desenvolvimento infantil foi encontrar a Disciplina Positiva e entender que existem mais formas de educar onde o MOTIVADOR não inclui vergonha, culpa, medo ou dor (física e EMOCIONAL) como também não inclui permissividade.

4 R’da PUNIÇÃO

A forma mais popular de controle de pais e professores é RECOMPENSA e CASTIGOS/PUNIÇÃO. Nesse sistema o adulto precisa visualizar a criança sendo BOA para recompensar ou pegar ela sendo “má” para castigar. Quem está sendo o centro? Obviamente o adulto e quando esse adulto não estiver por perto?

A criança não aprenderá ser RESPONSÁVEL pelo seu próprio comportamento. Dessa forma estamos treinando eles a OBEDECEREM e não a serem responsáveis. A PENSAREM!!!!

Pense da última vez que você se sentiu humilhado e injustiçado. Conecte-se com o que vc sentiu sobre você mesmo e sobre a outra pessoa. Eu lembro de me sentir motivada a desistir ou me esconder para evitar passar por aquilo novamente. Jane Nelsen no livro DISCIPLINA POSITIVA fala sobre os 4R’S que são consequências da punição, veja se talvez você se encaixe em uma dessas opções:

  1.     Ressentimento – “isso não é justo eu não posso confiar em adultos”.
  2.     Retaliação – “eles estão ganhando agora e eu vou me vingar”.
  3.     Rebeldia – “eu vou fazer exatamente o contrário para provar que eu não tenho que fazer do jeito deles”.
  4.     Recuo –  Dissimulação – “eu nao vou ser pego da próxima vez”.

Redução da auto estima – “eu sou uma pessoa ruim”.

Por que ainda insistimos em fazer as pessoas se sentirem pior para se comportarem melhor? Não precisamos mais disso. Podemos nos livrar da nossa carga histórica e nos autoeducar.  Podemos desde já buscar focar em soluções para nosso despreparo, descontrole e para esse sentimento avassalador de impotência.

É difícil, eu sei, crescer e evoluir dói. Mas tem coisa que vale mais na vida do que o relacionamento e a conexão com nossos filhos?

Eles sentem nosso esforço, eles sabem que estamos aprendendo e que estamos querendo melhorar, se por acaso vc acha que não, fale para eles isso. Peça ajuda.  Não se culpe, por favor! Vamos assumir a nossa RESPONSABILIDADE como agentes transformadores da nossa realidade.

Esse movimentos essas informações estão cada dia mais acessíveis na internet, em livros, canais do YouTube. Vamos juntos nesse estudo que pode mudar nosso mundo!

A Disciplina Positiva 

Imagino que vc foi, conhece ou tem uma criança que tenha se comportado dentro dos 4Rs da Punição (post 4) Estudos Neurológicos comprovam que punição impede o desenvolvimento cerebral ideal, então não é surpresa que a punição que sofremos ou que tentamos usar tenham consequências aqui citadas. (post 2 a pior de todas RELATIVIZAR violência).

Saiba que respeito a opinião de escolas e pais que optam por permissividade ou autoritarismo, e repito que sempre seguirei firme com o que estudo, vivo com minha família e acredito. E estou muito feliz por ter um caminho do meio deste contexto crescendo cada dia mais.

Entendo a dificuldade de mudar esse paradigma e convido vcs a se questionarem:

–       Como posso ajudar minha criança a aprender habilidades como respeito, cooperação e resolução de problemas?

–       Como posso ajudar a se sentir capaz?

–       Como posso ajudar minha filha a desenvolver um senso de aceitação e importância?

–       Como posso mergulhar no mundo do meu filho e entender o processo do seu desenvolvimento?

–       Como posso usar meus problemas como oportunidade de aprendizagem?

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